Reabilitação do Assoalho Pélvico em Mulheres com Incontinência Urinária

            Incontinência Urinária

A International Continence Society (ICS) e International Urogynecological Association (IUGA), define incontinência urinária (IU) como a queixa de perda involuntária de urina, podendo ser classificada conforme a queixa clínica apresentada pela paciente e sinais e sintomas, em incontinência urinária de esforço (IUE), incontinência urinária de urgência (IUU) e incontinência urinária mista (IUM).

A forma mais comum é a incontinência urinária de esforço (IUE), a qual é conceituada como a perda involuntária de urina quando a pressão intra-abdominal, com consequente aumento da pressão vesical (bexiga), excede a pressão uretral nos momentos em que há esforços, como no exercício, tosse, espirro, risada, saltos, caminhada, corrida e carregar peso, dentre outros. Acomete cerca de 50% das mulheres com IU, porém a média de prevalência varia nos diferentes estudos. No entanto, a taxa varia de 10% em mulheres jovens a 45% entre mulheres idosas. Sua causa é de ordem multifatorial, contudo a causa mais comum é a disfunção dos músculos do assolho pélvico (“períneo”).

Já, a incontinência urinária de urgência, também conhecida como bexiga hiperativa, acontece quando existe um desejo repentino e forte de urinar sem a capacidade de controlar o mecanismo de urinar, ou seja, consiste em um forte desejo inadiável de urinar, que é ocasionada pela contração involuntária do músculo detrusor (músculo que envolve a bexiga) no momento em que a bexiga está na fase de enchimento. É caracterizada por uma tríade de sinais e sintomas: frequência (número de idas ao banheiro superior a 7 vezes durante o dia), urgência (forte desejo inadiável de urina) e noctúria (acordar a noite para urinar por mais de 2 vezes). E, a incontinência urinária mista consiste na associação dos dois tipos de incontinência descrito acima.

Como já mencionado anteriormente, a causa da IU é multifatorial, variando da disfunção dos músculos do assoalho pélvico, a distúrbios de inervação, anormalidades nas estruturas que sustentam e estabilizam as vísceras pélvicas (bexiga, útero e reto), dentre outros fatores relacionados à idade, paridade, via de parto, peso do recém-nascido ao nascer, menopausa, obesidade, assim como atividades físicas de alto impacto.

Equivocadamente, por não conhecer, muitas mulheres pensam que a perda de urinária seja algo natural do envelhecimento, tratando-a como decorrência normal, privando-as do tratamento adequado. Entretanto, episódios de perda de urina causam constrangimento social, isolamento, depressão, estresse, vergonha, baixa autoestima, disfunção sexual e sensações de incapacidade, culminado, assim, no declínio da qualidade de vida.

Nos dias de hoje, tem-se sugerido que a primeira intervenção no tratamento da incontinência urinária seja conservadora com abordagens não cirúrgicas e não farmacológicas em virtude dos bons resultados, baixo custo e dos mínimos efeitos adversos, sendo, então, o tratamento fisioterapêutico recomendado como primeira escolha com elevado nível de evidência científica. Várias são as técnicas fisioterapêuticas empregadas no tratamento fisioterapêutico da IU, destacando-se como métodos de reabilitação do assoalho pélvico os exercícios de fortalecimento para os músculos do assoalho pélvico, eletroestimulação vaginal, biofeedback, cones vaginais e tratamento comportamental.

Eletroestimulação e Biofeedback manométrico

Desta forma, o tratamento fisioterapêutico tem como finalidade a reeducação dos músculos do assoalho pélvico proporcionando um aumento na pressão intra-uretral nos momentos de aumento súbito de pressão intra-abdominal durante os esforços resistindo, assim, aos aumentos da pressão vesical, bem como melhorando a sustentação e o suporte das vísceras pélvicas, como bexiga, útero e reto, impedindo que esses órgãos desçam em direção ao introito vaginal (canal vaginal). O fortalecimento desses músculos também melhora a satisfação sexual, uma vez que para que a mulher atinja o orgasmo se faz necessária a contração dos músculos do assoalho pélvico de forma rápida e rítmica, podendo sua fraqueza ocasionar transtorno de orgasmo.

Contudo, não necessariamente todas as mulheres com incontinência urinária farão uso de todos os recursos mencionados acima. A escolha do melhor recurso somente é feita mediante avaliação fisioterapêutica com anamneses (história pregressa, história da moléstia atual e achados clínicos) e exame físico da região acometida, com inclusive mensuração do grau de força muscular dos músculos do assoalho pélvico, dentre outras particularidades.

Desta forma, o tratamento fisioterapêutico para a incontinência urinária é individual e personalizado.

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